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A voz e a vez das Mulheres na iluminação

Olá! Você sabia? 

1975

A partir dos anos 1960, a comemoração do dia 8 de março já tinha se tornado tradicional mas, foi finalmente oficializada pela ONU apenas em 1975, quando a organização declarou o Ano Internacional das Mulheres como uma ação voltada para o combate as desigualdades e discriminação de gênero em todo mundo. 

2021

Segunda-feira dia 8 de Março é o Dia Internacional da Mulher

A Codlux® parabeniza todas as mulheres pelo seu dia, em especial aquelas que também atuam no setor da iluminação, engenharia, urbanismo, arquitetura e design de interiores. 
Nosso Parabéns e imenso desejo de muita saúde, sucesso e prosperidade a todas vocês! Sem a sua colaboração, não teríamos chegado tão longe em nossos propósitos. 



A grande maioria dos clientes e parceiros da Codlux® são mulheres. Elas representam uma fatia significativa de faturamento e, estão sempre em atividade - tanto junto as solicitações de orçamentos para seus projetos, quanto às atualizações nas novidades para o setor da iluminação em LED, como equipamentos técnicos ou da linha decorativa. 



É imensamente gratificante para a Codlux® ver as especificações de produtos sugeridos por nós, finalizar as plantas novas e retrofits destas guerreiras profissionais. A iluminação artificial de ambientes com tecnologia LED 'abraça' cada vez mais hoje o correto Lighting Design nos projetos luminotécnicos, garantindo uma sincronia perfeita entre eficiência energética, sustentabilidade e refinamento no design de interiores.



E, inclusive um pouco mais adiante, a economia circular também integrará este processo, contribuindo consistentemente então para um planeta de fato 'saudável' em seus processos produtivos. A participação das mulheres nesta implementação será fundamental! 

É nisto que acreditamos. E é por isto que a Codlux® comemora e agradece a todas vocês hoje: 

Feliz Dia Internacional da Mulher! Obrigado pelo seu suporte.
 



E segue agora o nosso post celebração: com vocês, "A voz e a vez das Mulheres na iluminação". 

Uma Hashtag só para elas 

O tema de campanha do Dia Internacional da Mulher em 2019 para o site Women In Lighting foi o lançamento na época da #BalanceforBetter, uma hashtag criada para impulsionar o equilíbrio de gênero em todo o mundo. Isso está totalmente de acordo com o atual ensejo em alcançar uma plataforma digital inspiradora para mulheres que trabalham com iluminação. Se hoje cerca de 50% das mulheres lidam com o lighting design, deseja-se que isso seja então reconhecido em todas as atuais conferências, júris, painéis e comissões oficiais, em todos os lugares do mundo. O site pediu às designers de iluminação de todas as nações que compartilhassem em 2019 uma imagem de si mesmas trabalhando com a luz e marcando-a com a hashtag #iamawomanoflight no Facebook, Twitter e Instagram. E este chamado também continua sendo uma boa ideia para hoje, Dia Internacional da Mulher ano 2021! 

A co-fundadora do projeto Women In LightingSharon Stammers - do Light Collective - disse em Março de 2019: 


“Estando envolvidas no design de iluminação desde o início, as mulheres desempenharam um papel mais importante na formação da profissão de designer de iluminação, tanto na arquitetura quanto na engenharia. O setor de design de iluminação com suas inúmeras aplicações abre-se para oportunidades de trabalho em muitos cenários diferentes. É uma indústria que pode compartilhar informações entre os membros de sua comunidade e, portanto, oferecer apoio a outras mulheres que precisarem. Queremos criar modelos de comportamento, equilíbrio e encorajamento as mulheres que escolherem trabalhar na iluminação ou em outras profissões relacionadas”.

Em Janeiro de 2021, o LIT Design Awards anunciou o vencedor do LIT 2020 Spotlight para o “Mulheres na iluminação”. Criada para reconhecer os esforços de talentosos designers de produtos de iluminação internacionais e implementadores de iluminação, a organizadora da premiação acredita que a iluminação é a arte e ciência nos elementos mais importantes do design. O Women in Lighting (WIL/Mulheres na iluminação) inspira e traça o perfil de mulheres que trabalham na área de design de iluminação, promovendo em comunidade as conquistas de cada uma delas na narrativa de seu plano de carreira e objetivos. 



O Women in Lighting consiste basicamente em um site (womeninlighting.com) com um banco de dados de entrevistas com mulheres de todo o mundo. Começando com designers de iluminação, o escopo foi então se expandindo para incluir hoje, mulheres em todos os aspectos da iluminação - educação, jornalismo, manufatura, arte e pesquisa. Mas, tudo começou quando a dupla de designers de iluminação britânica Light Collective ficou surpresa ao ouvir o que um espectador comentou após a exibição do documentário "The Perfect Light" : 'quase nenhuma designer de iluminação feminina estava envolvida'. Este foi um momento revelador para a dupla porque eles conheceram muitas mulheres designers de iluminação, mas nem tanto como palestrantes em conferências ou líderes de estúdios de design. Como consequência, deram início à iniciativa Women in Lighting. O projeto já obteve o apoio de designers individuais em mais de 70 países diferentes. Essas “embaixadoras” da iluminação são um ponto de contato em cada localidade atingida, para que outras mulheres também busquem saber mais sobre o projeto. O Women in Lighting não é sobre desigualdade de gênero mas sim sobre inclusão e, como isso é altamente benéfico para a profissão como um todo. 

MULHERES EM DESTAQUE ONTEM, HOJE E SEMPRE

A história do design de iluminação arquitetônica lista os pioneiros do sexo masculino nas décadas de 1930 a 1950, como Richard Kelly com seu esquema de iluminação para o Seagram Building, William MC Lam, cujo design ainda é visível no Washington Metro ou Howard Brandston que projetou, por exemplo, a iluminação para as Torres Gêmeas Petrona em Kuala Lumpur. 

No entanto, a primeira designer de iluminação feminina surgiu com Lesley Wheel na década de 1960, de acordo com uma projeto de iluminação compilado por Elizabeth DonoffLesley se inspirou no Seagram Building e desenvolveu a iluminação para muitos hotéis Hilton International e sedes corporativas. Além disso, ela fundou um programa de estágio para apoiar jovens designers. 


Uma segunda notável designer de iluminação é Motoko Ishii do Japão, que começou seu próprio estúdio no final dos anos 1960 e recebeu vários prêmios por seu design excepcional, como a Torre de Tóquio.


Nos EUA, Suzan Tillotson iniciou a primeira grande consultoria de design de iluminação com uma diretora feminina em 2004, levando a projetos de prestígio como a sede europeia da Bloomberg com Foster + Partners, The Broad Museum ou Roy and Diana Vagelos Education Center com Diller Scofidio + Renfro. 


Para Florence Lam, líder global de design de iluminação da Arup por 30 anos e primeira mulher a receber o Prêmio de Designer de Iluminação do Ano no Lighting Design Awards em Londres 2013, o designer de iluminação com mulheres tende a ter menos ambição própria, mas estas profissionais serão sempre mais motivadas se conseguirem encontrar um propósito para se apresentarem. Com uma longa carreira de iluminação profissional, Florence já se tornou um modelo para a geração mais jovem.
Mas, mesmo ela já se deparou com o preconceito inconsciente de mulher.


Em um encontro local no Azerbaijão teve uma experiência reveladora: 20 pessoas participaram de uma reunião, sendo metade delas eram contratados turcos e a outra metade, designers e gerentes de design coreanos. Florence nunca percebeu que, a única senhora que apareceu na sala fazendo anotações durante a apresentação não seria uma secretária. No entanto, ao final da apresentação ela fez as perguntas mais inteligentes, parecendo ser a arquiteta principal do projeto do novo estádio debatido em questão. Devido ao fato de Florence não ter visto mulheres importantes em seu ambiente normal de trabalho naquela época, sua visão era involuntariamente 'tendenciosa'. No entanto, a percepção das mulheres na iluminação mudou muito nos últimos anos.

Jill Entwistle, escrevendo há mais de 20 anos sobre iluminação e sendo editora executiva da revista Lighting, tentou encontrar mais juízas com destaque para os prêmios de iluminação e assim, mudar o campo das competições. Ela considera dois tópicos essenciais para fechar a lacuna de gênero na iluminação: educar mais mulheres na iluminação como carreira e apoiá-las nos locais de trabalho para serem mais extrovertidas. Mulheres mais jovens na iluminação já são bastante assertivas, comenta Jill


Katia Kolovea
pertence a esta geração mais jovem. Ela é um membro chave da equipe "Women in Lighting" e trabalha como designer de iluminação criativa para a Urban Electric. Katia já se beneficiou dos crescentes modelos femininos. Ela participou de duas competições de iluminação para estudantes, o "SLL Jovem Lighter do Ano" e "PLDC - O Desafio", onde todas as finalistas eram mulheres.


Sua amiga sueca Fanny Englund, designer de iluminação da ÅF Lighting em Estocolmo, vê muitos talentos femininos surgindo também. Mas Fanny também destaca que esse desenvolvimento exige que as mulheres ousem se candidatar a cargos mais altos e falar em conferências. Portanto, Fanny incentiva as mulheres a superar o medo de não ter confiança suficiente. Embora a Light Collective tenha começado com designers de iluminação como embaixadores de seu projeto "Mulheres na Iluminação", eles já planejaram incluir mulheres trabalhando como educadoras, na arte, na pesquisa ou como fabricantes. 


O Lighting Design Awards 2020 acontecerá em 13 de Maio de 2021 no Troxy, Londres, substituindo o evento de 2021. Todas as nomeações e inscrições pré-selecionadas em 2020 foram transferidas para a nova data. Uma série de categorias especiais foram criadas para reconhecer o trabalho excepcional realizado (durante o difícil ano passado) pela nova geração de jovens designers de iluminação, nomeada após uma pesquisa global. A turma concorrente aos prêmios deste ano é composta por 15 homens e 25 mulheres de 12 países diferentes, incluindo Índia, Brasil, Alemanha, China, Portugal e EUA. E representeando o nosso país, está a arquiteta e urbanista Mohana Barros Bezerra de Lima, lighting designer pós-graduada em projetos luminotécnicos pela Universidade Castelo Branco, RJ, sendo também sócia-diretora da Archidesign Ltda. Claro que, desejemos toda a sorte do mundo para ela! 



Você sabia que nos Estados Unidos, existem empresas administradas exclusivamente por mulheres - e tem até certificação para isso? A HLB Lighting Design é uma delas e, anunciou no dia 4 de Março que Barbara Horton, CEO da organização, se aposentou após uma carreira de 41 anos na empresa. Nos últimos 40 anos, Barbara atuou como líder e mentora de equipe da HLB. Durante sua gestão, a HLB cresceu para 15 diretores/proprietários, com mais de 90 membros de equipe localizados em sete escritórios na América do Norte, atendendo clientes em todo o mundo. Ela guiou a empresa por meio de uma transição de propriedade bem-sucedida na sua primeira aquisição e, criou uma cultura de excelência com foco no negócio de design.  

“Planejamos essa transição de sucessão desde o primeiro dia em que tive a honra de assumir o cargo de CEO em 1992. O sucesso da empresa não reside em uma pessoa, mas em todas as pessoas que capacitamos para trazer sua imaginação e espírito empreendedor para construir a reputação da nossa empresa. Trabalhar lado a lado com tantos de nossos grandes líderes ao longo da minha carreira tem sido uma honra durante a jornada da iluminação. O CEO tem muitas responsabilidades, mas a maior delas é ser o Diretor de Entusiasmo. A nova CEO tem a base histórica e a perspectiva de futuro para continuar o trabalho que iniciamos e levar a HLB pelos próximos 50 anos ”, disse Barbara


A diretora sênior Carrie Hawley assumirá a função de única CEO após a aposentadoria de Barbara. Em sua nova função como CEO da HLB Lighting Design, Carrie traz 25 anos de experiência em design de iluminação e liderança, com um portfólio de projetos premiados com clientes renomados nacional e internacionalmente. 

“Estou muito emocionada e animada por assumir essa responsabilidade e assumir o enorme cargo que Barbara ocupou como CEO nos últimos 29 anos. Nossa empresa tem uma forte cultura de planejamento estratégico e inovação, tanto na iluminação quanto nos negócios, e estou extremamente animado para continuar a desenvolver essa cultura e elevar o perfil do design de iluminação no mundo de hoje. Este é um grande momento em minha carreira e estou ansiosa para liderar nossa equipe à medida que continuamos a avançar na indústria e moldar ambientes inspiradores, inovadores, sustentáveis ​​e saudáveis ​​por meio do design de iluminação” disse Carrie. 


Carrie ingressou na HLB em 1995 como membro do escritório de Nova York, trabalhando sob a orientação de Barbara e ascendendo rapidamente a posições de maior responsabilidade. Em 2001, ela liderou o plano de negócios e o desenvolvimento do eLumit, um mecanismo de busca e especificação de produtos de iluminação baseado na web. Em 2007, ela desenvolveu um plano estratégico para abrir o quarto escritório da HLB em Boston e foi nomeada diretora da empresa. Ela é membro ativo do Conselho de Administração da HLB desde 2011 e assumirá a função de Presidente do Conselho em simultâneo com a sua mudança para CEO.

Fundada em 1968, a HLB Lighting Design é a maior empresa independente de design de iluminação arquitetônica pertencente a mulheres (WBE) da América do Norte. Os requisitos mínimos para uma empresa se qualificar como WBE (Women's Business Enterprise) no National Council (WBENC) ou um programa WBE são:
- ser uma empresa com fins lucrativos localizada nos Estados Unidos;
- ser 51% propriedade de uma mulher, ou um grupo de mulheres que, exceto por uma herança, contribuíram com uma quantidade proporcional de capital para adquirir propriedade.
- ter conselho administrativo controlado por uma ou grupo de mulheres;
- ter a principal executiva mulher responsável pelas operações diárias com conhecimento técnico na principal atividade de negócios da empresa;
- ter mulheres proprietárias cidadãs americanas ou residentes legais. 

MULHERES EM DESTAQUE FALAM SOBRE AS QUESTÕES RACIAIS 

Lauren Dandridge Gaines leciona design de iluminação na Escola de Arquitetura da USC. Ela ensina iluminação padrão para arquitetos e designers, orientando seus alunos a uma melhor compreensão da correlação entre iluminação, saúde/bem-estar e comportamento junto a técnicas de design aprimoradas e novas tecnologias. Ela é uma das designers de iluminação vencedoras dos prêmios IES e figura reconhecida na comunidade de iluminação. 


A frase que a inspira: 
"Se não há luta, não há progresso. Aqueles que professam favorecer a liberdade, mas depreciam a agitação, são homens que querem plantar sem arar o solo. Eles querem chuva sem trovões e raios. Eles querem o oceano sem o terrível rugido de suas muitas águas. Essa luta pode ser moral; ou pode ser físico; ou pode ser moral e físico; Mas deve ser um desafio. O poder não concede nada sem uma demanda. Ele nunca fez e nunca fará." (Frederick Douglass)

Inspiração e influência: 
"... eu amo esta citação porque é ao mesmo tempo humilhante e fortalecedora. Isso me lembra que a luta faz parte de tudo que vale a pena perseguir. A luta pode não ser de vida ou morte, mas a agitação para mudar a si mesmo e ao mundo exige mais do que já fizemos. Isso me lembra que o desconforto faz parte do processo, que a inquietação e as dúvidas e as perguntas fazem parte de um esforço digno ... e que, no final, quando você olhar para trás, perceberá o quão longe você chegou".

Um conselho:
"... não tenha medo. Tenha cuidado. Esteja atento. Esteja atento, mas nunca tenha medo. Isto não faz nada, exceto desgastar seus nervos. Entrei na iluminação por causa de uma peça que vi no ensino médio. Houve um efeito de iluminação legal e pensei: 'Quero aprender mais sobre isso ...' e a partir daí comecei a estudar iluminação teatral. A exposição é muito, muito importante."  

Realizações: 
"... estou muito orgulhosa de minhas realizações como professora. Eu vi meus 'pássaros' de iluminação bebês voarem e se tornarem poderosos designers em grandes empresas de iluminação e arquitetura como Fisher Marantz Stone, Oculus Light Studio, HLB, Illuminate Lighting Design e BOLD..." 

Reflexões: 
"... eu adoraria deixar qualquer um que tenha dúvidas sobre os esforços na diversidade saber que, este é um empurrão para a oportunidade, não uma substituição. Quero ver uma indústria de iluminação que reflita a cidade em que vivo. Quero que os jovens, principalmente os negros, saibam que essa indústria existe e que os queremos nela, que estamos dispostos a conhecê-los no meio do caminho mostrando, nos expandindo para ensinar, desenvolver e contratar." 

Tanya Hernandez é vice-presidente de relações governamentais e industriais da Acuity Brands atuando como 'ponte' em regulamentações relacionadas a questões ambientais e de energia para organizações de desenvolvimento de padrões. Ela é bacharel em engenharia elétrica com mais de 20 anos de experiência na indústria de iluminação. Trabalhou como líder técnico no desenvolvimento de especificações para o Programa de Iluminação EPA Energy Star e também, certificou inúmeros produtos de iluminação e criou especificações de construção e desempenho para luminárias LED em sua função como engenheira de certificação na UL. A paixão de Tanya pela iluminação já foi demonstrada em várias apresentações, como na Conferência Anual da Illuminating Engineering Society (IES), Lightfair e World Energy Engineering Congress.


A frase que a inspira: 
"Se alguém avança com confiança na direção de seus sonhos e se esforça para viver a vida que imaginou, terá um sucesso inesperado nas horas comuns”. 
(Henry David Thoreau) 

Inspiração e influência: 
"... como um estudante de ensino médio de 18 anos, tive grandes sonhos e imaginei uma vida incrível. Ler essas palavras solidificou minha decisão de buscar engenharia elétrica e liderança estudantil na North Carolina State University. Avançar com confiança tem me servido bem; uma lição profissional /pessoal significativa que eu passaria adiante. Como uma jovem engenheira, sempre pensei que tinha que saber tudo ou ser uma das pessoas mais inteligentes da sala para ser levada a sério ou até mesmo falar em uma reunião. Aprendi que é importante falar e ser ousado, mesmo se você não tiver todos os fatos a mão. Às vezes, a ação do agora é melhor do que uma decisão mais informada posteriormente. Esse conselho não significa que você deva ser imprudente; mas é a permissão para fazer o que outras pessoas de sucesso fazem todos os dias, como se voluntariar para tarefas nas quais não têm experiência." 

Um conselho:
"... eu mudaria a aceitabilidade da criação, incentivo e patrocínio de um grupo de afinidade para profissionais de iluminação negra. Nos últimos anos, temos nos encontrado e buscado oportunidades de encorajar uns aos outros. Usamos esses encontros para apoiar uns aos outros, compartilhando nossas experiências, celebrando conquistas, destacando oportunidades de desenvolvimento profissional e identificando aliados e patrocinadores. Uma progressão natural do grupo seria criar iniciativas de pipeline, como dias de carreira, estágios e bolsas de estudo para expor os afrodescendentes à indústria de iluminação - uma mudança positiva em torno da representação que observei na indústria de iluminação. Esses eventos e conferências do setor podem incentivar e talvez patrocinar o encontro de pessoas de cor. Organizações e institutos de arquitetos podem patrocinar palestras a afrodescendentes notáveis e outras oportunidades aos vários indivíduos qualificados neste espaço. Seja ousado na sua tomada de decisão e não mude quem você é. Acredito firmemente que não há apenas espaço à mesa para o seu eu autêntico, mas também a necessidade dele. Você cometerá erros, então tente se recuperar deles rapidamente. Minha experiência e perspectiva como profissional negro na indústria de iluminação."   
 
Realizações: 
"... em primeiro lugar, deixe-me dizer, tive uma carreira incrível na iluminação. Cada ano ficava cada vez mais brilhante (trocadilho intencional), no entanto, surgiram desafios significativos ao longo do caminho. Semelhante à minha experiência com a engenharia elétrica, não vi muitos rostos que se pareciam com o meu na indústria de iluminação. O sentimento de pertencimento estava frequentemente ausente em meus primeiros ambientes de trabalho; então, eu evoluí adotando uma postura de não apenas pertencer, mas de propriedade, apoderar-se. Essa mentalidade me deu liberdade para continuar tentando e buscar oportunidades que antes eu pensava estarem fechadas para mim - algo que eu mudaria sobre a representação negra na indústria de iluminação."  

Este é um momento histórico em que a sociedade enfrenta o legado do racismo e suas consequências mortais para os negros. Os designers negros têm sido sistematicamente deixados de fora da relevância no mercado da iluminação. Como os empresários podem atrair melhor as minorias e criar ambientes de trabalho acolhedores, representar melhor os negros e as minorias em posições de liderança? 

Lisa Reed, fundadora e diretora da Envision Lighting Design, compartilha suas perspectivas e pensamentos sobre o racismo e sua influência na indústria de iluminação e na profissão de design de iluminação. Por que essa questão do racismo é especialmente importante para ela? 


"... quando me convidaram para participar de uma conversa sobre racismo no IALD em 2020, fiquei honrada. No entanto, ainda estou aprendendo e crescendo sobre como ser uma aliada. Aceitei entrar porque me preocupo com as pessoas, justiça e igualdade. A epifania de toda a minha vida veio na faculdade, e decidi que passaria a vida procurando e buscando a verdade, e chego a essa conversa com humildade. Para trazer isso mais perto da iluminação, eu tenho uma história há cerca de uma década em uma conferência de iluminação, quando um profissional emergente veio até mim em uma conferência e perguntou-me sem jeito "há algum outro negro neste setor?" E eu tive que ser honesto com ela e dizer, “não muitos.” Esse fato por si só é uma razão suficiente para ter essa conversa... é importante que os brancos se tornem anti-racistas não por se tratar apenas de você dizer “Oh, eu não sou racista”. Trata-se de você se tornar um anti-racista, o que exige que sejamos vulneráveis ​​sobre onde estamos. Existem três zonas: a Zona do Medo , a Zona de Aprendizagem e a Zona de Crescimento . Onde você se vê? Você está na zona de medo de negar que o racismo é um problema? Ou apenas ficar com pessoas que se parecem com você? Esperamos que todos estejamos começando a aprender e nos mover para a Zona de Aprendizado, de reconhecer que o racismo é um problema atual. É apenas começar a ouvir, aprender, fazer perguntas e entender onde cada um de nós tem privilégios. E todos nós fazemos! Se você tem ignorado o racismo, então definitivamente experimentou algum tipo de privilégio, porque você não pode ignorá-lo quando está experimentando. Uso essa palavra “privilégio” com cautela porque, ela se tornou muito política. Queremos que as pessoas vejam além das palavras que usamos, o significado por trás delas. O objetivo de se tornar mais anti-racista requer uma mudança para a Zona de Crescimento . Nesta zona, podemos começar a identificar como nos beneficiamos do racismo como brancos. Na Zona de Crescimento, sentimos esse desconforto. É aqui que falamos quando vemos o racismo em ação - é aqui que as coisas realmente importantes acontecem - quando você sabe que está defendendo as pessoas que precisam de você como aliado." 

MULHERES EM DESTAQUE E OS NEGÓCIOS NA PANDEMIA

Mulheres empresárias do setor de iluminação também sentiram o aperto da segunda onda da pandemia do coronavírus. Desta vez, o vírus está afetando mais empresas dominadas por mulheres.
Maude Rondeau, fundadora e presidente da Luminaire Authentik (empresa de design e fabricação de iluminação em Montreal, Canadá), se considera uma das sortudas durante estes bloqueios. Ela foi capaz de mudar rapidamente de uma 'operação predominantemente business-to-business' para uma voltada principalmente para o consumidor final. Disse ela ao Financial Post em 2 de Março de 2021:  


“Em 2019 éramos 70% comerciais e 30% residenciais. Agora, somos 90% residenciais. A Luminaire Authentik fechou completamente durante o primeiro bloqueio e começou a postar produtos online para os que os consumidores finais também pudessem comprar. Abriu inclusive uma loja física em Toronto no mês de Agosto, como resposta a este crescimento vindo do consumidor final em nosso negócio. As coisas estão indo bem por enquanto, mas nosso maior problema é a incerteza do mercado. Estamos tentando ser criativos, mas não sabemos quais canais voltarão ou não. Por exemplo, houve um cancelamento repentino de pedido de $500.000 em Março de 2020, isto depois que os produtos já terem sido produzidos. Por causa disso, até hoje ainda estamos trabalhando na movimentação desse estoque excedente. Temos que nos preparar com mais cuidado do que nunca, porque não sabemos quando ou se voltaremos ao 'normal' de antes da pandemia. Estamos todos tentando administrar o inesperado.” 

Ourania Georgoutsakou é secretária-geral da LightingEurope, organização que é a voz da indústria da iluminação em Bruxelas. Ela juntou-se à LightingEurope em abril de 2017 e, é responsável pelas estratégias de impacto da organização que representam a indústria de iluminação da Europa na arena política de Bruxelas, fazendo assim a ligação com os executivos da indústria e gerenciando as operações da associação. Ela tem mais de 15 anos de experiência na defesa dos interesses dos seus membros. 


Aqui estão algumas de suas importantes colocações sobre as estratégicas futuras para a indústria de iluminação a serem adotadas na União Européia - mesmo com a atual 'insistência pandêmica': 

"À medida que outra onda de lockdown entra em vigor em toda a Europa, é importante manter não apenas o queixo erguido mas também, os olhos abertos e olhando para o próximo conjunto de oportunidades e desafios que virão em nossa direção. 2020 afetou também a indústria de iluminação, com um declínio no PIB da União Europeia estimado em pelo menos -8%. No setor a estimativa é de que o mercado não atingirá os mesmos níveis de 2019 antes do segundo semestre de 2022.
Medidas de estímulo dos governos para apoiar retrofits estão sendo moldadas e podem ajudar a acelerar a demanda por iluminação com propostas da UE bem estabelecidas, como a Renovation Wave Initiative publicada em Outubro de 2020 que visa melhorar a eficiência energética na Europa. 75% dos edifícios existentes no continente são ineficientes e, atingir os objetivos da UE custará um adicional de € 275 bilhões por ano. Um reflexo disso é o interesse por tecnologias de desinfecção UV-C, que disparou nos últimos meses.
Novos requisitos regulamentares da UE serão aplicados a partir de 2021, como:
* Obrigação de notificar a presença em artigos de substâncias nocivas em produtos químicos a partir de 5 de Janeiro de 2021 
* Novas regras de ecodesign e rotulagem energética a serem aplicadas a partir de 1 de Setembro de 2021, que inclui nova eficiência e parâmetros de qualidade e eliminação de 'produtos convencionais' por exemplo 
* Novos requisitos de remoção/substituição de componentes a partir de 1º de Setembro de 2021 que incluem requisitos de desempenho de energia, rotulagem e informações de produto de iluminação; criando partes como fontes de luz e engrenagens, separadas entre si na montagem para serem removíveis e substituíveis, conforme demanda uma economia circular.
Estes requisitos sobre 'circularidade' nos produtos de iluminação serão definidos ao longo dos próximos 2 anos na UE. Empresas devem estar preparadas para mais durabilidade, evitando desperdícios e encorajando a reutilização de componentes nas luminárias em LED.
No melhor estilo 'Nunca desperdice uma boa crise' ."

Deborah Burnett, é uma profissional de design reconhecida internacionalmente na área de Light + Health e membro da American Academy of Sleep Medicine. Atuando nos comitês de fotobiologia do IES e CIE, ela é uma conferencista acadêmica altamente conceituada, apresentadora internacional e autora publicada. Burnett também é palestrante da LightFair que se apresentou na conferência virtual de 2020. Ganhe créditos CE e aprenda mais com sua experiência inscrevendo-se nos webinars sob LightFair Connect em Dezembro de 2020. 


A Pandemia  trouxe inquietude para muitas pessoas no mundo. Perturbações no relaxamento e organização das ideias acarretam desde então em perdas de disposição e de sono. Burnett fala um pouco do que é hoje "FICAR BEM" neste contexto todo, com a iluminação no foco do tema: 

"FICAR BEM é a diretriz para um envolvimento ativo durante o dia e, quando o Sol se põe, permanecermos calmos, relaxados e dormir bem todas as noites em um quarto, escuro como breu. Apaguemos todas as luzes após as 20h; usemos uma luz noturna vermelha (630 nanômetros) para corredores e banheiros durante a noite e, inundemos nossos quartos com o máximo de luz natural possível todas as manhãs, mesmo durante os meses de inverno. Isto nos fará FICAR BEM! 
Existe uma necessidade biológica para fotorrecepção ocular na exposição a luz UV, UVvis e IR ao longo das horas do dia, enquanto à noite, devemos expor nossa pele e olhos a níveis de escuridão suficientemente capazes de estimular uma resposta biológica oposta, de desestímulo, necessária para mantermos um sistema imunológico robusto, genética reguladora vigorosa e resposta neuroendócrina saudável para cada período de 24 horas. 
FICAR BEM é semelhante para todas as formas de vida, já que a dependência biológica e celular da luz ambiente está ligada a um ciclo de 24 horas, com ajustes sazonais dependentes de localidade. Quando este ciclo é interrompido ou atrasado, as formas de vida (incluindo os humanos) experimentam com o passar do tempo o oposto do que seria ter um bem-estar e, portanto, FICAR BEM não se estabelece então como algo realmente alcançável. 
Economicamente, PERMANECER BEM para os profissionais de iluminação externa e seus projetos localizados em ambientes naturalmente primitivos, pode ir além do 'alívio a reflexos' e problemas de 'céu escuro': minimizar o potencial da luz artificial à noite é necessário para não impactar economias locais e impedir interrupções das fontes de alimento de espécies nativas. Por exemplo: uma ponte num importante canal marinho que ligue-se a um ambiente urbano ou de turismo, pode causar a interrupção da vida marinha nas cadeias alimentares. Se fossemos considerar primeiro a iluminação a partir de uma perspectiva econômica num projeto de iluminação de ponte meramente decorativa, entraria-se num provável declínio e possível destruição de todo um ecossistema outrora próspero, cuja morte devastaria a economia local e o sustento dos cidadãos em geral. 
PERMANECER BEM também pode ser interpretado como um 'chamado à ação' para que profissionais, fabricantes, educadores e organizações se esforcem e reconheçam pesquisas baseadas em luzes artificiais geradas por disciplinas de ciências biológicas aparentemente diferentes entre si, como as para  veterinária, horticultura, agricultura, zoologia e pesquisas médicas humanas - tidas todas elas como componentes necessários para o desenvolvimento de habilidades profissionais. Isto expandiria e daria prioridade ao conhecimento fotométrico para interpretarmos corretamente a prescrição de luzes artificiais por exemplo, na Natureza: um equilíbrio sazonalmente ajustado entre 'claro e escuro', seria convertido em aplicações de luzes elétricas adequadas para qualquer ambiente, construído artificialmente ou, naturalmente primitivo." 

Jimalee Beno, presidente do IALD Education Trust (International Association of Lighting Designers) relembra a importância que teve as contribuições voluntárias para a educação em Lighting Design no ano de 2020: 


"Para muitos, 2020 foi um ano para esquecer. Mas embora o ano parecesse especialmente difícil, teve também alguns aspectos positivos. O coronavírus trouxe a criatividade. Da quarentena veio mais tempo gasto com a família. Do distanciamento social surgiu a comunidade. Do ativismo, mudanças para o melhor. E se nos concentrarmos nos pequenos atos de gentileza que fizeram a diferença, então temos muito o que agradecer a patrocinadores que doaram generosamente em 2020 e fizeram deste difícil tempo, um bom ano para o 'Fundo de Educação IALD'. Foi por meio dessa generosidade que o Trust pôde continuar a missão de fornecer oportunidades educacionais a alunos e conectá-los à comunidade da iluminação. A qualidade da educação e a qualidade das fontes nos aumentam o grupo de designers de iluminação. Obrigado pelas doações e apoio ao Trust. Educadores podem aprimorar suas habilidades e aumentar nosso alcance por meio de seus alunos, que em 2020 apresentou uma diversidade crescente de escolas e capacidade incrível do IALD em atrair um grupo internacional em tempos incertos. Isso destaca a importância e o valor que o programa Trust traz para nossa profissão."

Em plena segunda onda da COVID-19 no mundo, as premiações no setor de iluminação também estão se reorganizando para poderem voltar presencialmente em 2021. As indicações para o Prêmio de Liderança Mulheres em Iluminação 2020 por exemplo, tiveram as suas inscrições aceitas até o dia 1º de Outubro de 2020. O prêmio anual Women in Lighting Leadership reconhece as profissionais de iluminação por seu papel em pelo menos duas atividades ativas nos últimos dois anos, como: 
- Conquista/liderança na indústria de iluminação
- Suporte de ALA
- Tutoria de outras mulheres na indústria de iluminação
- Devoção à comunidade por meio de filantropia, trabalho voluntário ou apoio/participação ativa de destaque.


O Comitê Mulheres em Iluminação da Associação Americana de Iluminação (WIL) anunciou que, o Prêmio 2020 será entregue a uma líder merecedora do setor durante o show Lightovation, que ocorrerá de 23 a 26 de Março de 2021 no Dallas Market Center

MULHERES EM DESTAQUE FAZENDO HISTÓRIA 

A ganhadora do prêmio Women in Lighting Leadership no ano passado foi Jilla Farzan, vice-presidente executiva da Nora Lighting.


Jilla
, junto com seu marido Fred, duas filhas e mais uma a caminho, imigraram do Irã para os Estados Unidos em 1987. Dois anos depois, o casal começou sua empresa com Jilla liderando a empreitada que levou a Nora Lighting a se mudar de um prédio de 83 metros quadrados com dois funcionários para uma empresa que ocupa hoje mais de 27.000 metros quadrados de espaço de depósito disponível em todo o país, empregando mais 150 funcionários. 

A primeira ganhadora do prêmio foi Norma Cooper, que fundou a Lighting Etc. em Fort Worth no início dos anos 1980.


Com a ajuda das gerações posteriores de sua empresa familiar, a empresa cresceu como varejista da iluminação nas décadas seguintes, antes de Norma falecer aos 84 anos em Setembro de 2018
Ela se formou na Lake Worth High School, onde era líder de torcida. Norma era uma filha, esposa, mãe e avó amorosa. Uma das maiores qualidades de Norma era seu espírito empreendedor. Ao fundar a Lighting Etc., passou as décadas seguintes expandindo seu negócio sem nunca parar de trabalhar duro, trazendo sempre a luz para a vida de todos que a conheciam.



Além de auxílio constante a seus clientes, Norma estendeu continuamente uma mão amiga para quem precisasse. Ela acreditava nas pessoas quando outras não; era a primeira a ajudá-las a se levantar quando estavam deprimidas. Ela deixou para trás uma próspera empresa, família e amigos que a amam muito e continuarão honrando seu legado. 

Dona Lilia Moreira também se tornou uma honrada personagem no mercado da iluminação - desta vez aqui mesmo, no Brasil. Ela fez parte do início da iluminação técnica no país dentro da indústria nacional. Foi sogra do dono de uma grande indústria e também, mãe do dono de outra expressiva indústria de iluminação (ambas brasileiras) que, trouxeram novidades na iluminação técnica e decorativa a um nível até então quase inédito no mercado. Ela 'circulou' marcas conhecidas como La Lampe, Interlight e Ella Iluminação, permanecendo posteriormente na Lumivita Iluminação como um grande pilar na empresa. 


Seus anos iniciais no mercado da iluminação vinham de uma época em que, os equipamentos para interiores eram muito simples, muito básicos, muito comuns: um ponto de luz no meio da sala, outro ponto no meio do quarto e assim por diante. A partir do momento em que as empresas em que Dona Lilia habitava traziam 'novas' propostas - como temperatura de cor, ângulos de abertura, foco, luz difusa e luz pontual - também eram apresentadas ao mercado brasileiro peças especiais para áreas externas e embutidos para os novos tipos de lâmpadas lançadas na época, como as GU10, PAR20 etc. Estas 'recentes' especificações alavancaram enormemente as vendas da iluminação 'com projeto' no Brasil, onde Dona Lilia teve participação importante, principalmente ao lado do filho, sendo inclusive sócia em uma de suas empresas e dedicando muito tempo de sua vida ao setor da iluminação no país - foram mais de 30 anos!  

Dona Lilia tinha um "Q" de liderança incrível, participava do setor de compras quando as empresas ainda estavam iniciando. Com o crescimento, voltou-se para o setor comercial pelo seu enorme jogo de cintura, sua 'lábia': ela sabia muito bem conversar com toda a cadeia por conhecer como ninguém o 'chão de fábrica' da indústria de iluminação - da entrega de um produto a limpeza de galpões, bem ao estilo McDonald's (conhecer de fio a pavio). Integrou anos depois o departamento comercial não como gerente - para não sugerir interferência como 'mãe do dono', sócia ou algo parecido - mas, agregando-se ao time para alavancar resultados de uma maneira impressionante, com todo o carisma e firmeza que ela tinha na hora de vender. 

Marcos Britto e Andre Caixeta da Codlux® tiveram a honra em trabalhar com Dona Lilia (entre 2007 a 2014) e, este que vos escreve no post (Robson Giro) também teve a honra em conhecê-la. Marcos Britto comenta com carinho um pouco desta convivência: 

"Uma das lembranças que eu tenho dos últimos dois anos em que eu trabalhei com ela é que, durante a noite, quando íamos embora (ela morava relativamente perto da empresa) eu caminhava junto com ele. Eu, por uma questão estética porque queria emagrecer e ela, por questão de saúde. Então, a gente caminhava aproximadamente uns 4 Km e meio batendo papo, falando da vida, ela falando dos netos, eu falando de sobrinho, conversando sobre tudo e ela ficava extremante feliz. Até sapato mais confortável ela chegou a comprar para caminhar junto comigo. Quando chegávamos na portaria do prédio dela ela agradecia e dizia:

'Marcos, se Deus Quiser até amanhã para outra caminhada!'

Isto só acabou porque eu saí da empresa para me dedicar a indústria da iluminação em LED, tornando-me então um cliente da fábrica onde ela trabalhava. As conversas eram profissionais; eu comprava seus produtos e automaticamente, a gente continuava um bom bate-papo pelo telefone. Ela perguntava muito de meu sobrinho, de minha mãe que teve um problema de saúde, se preocupava, fez orações por ela. Sempre que eu ia a fábrica retirar mercadorias, ela atendia o interfone e de novo, nosso papinho bom se estendia." 

D. Lilia Moreira nos deixou numa quarta-feira do dia 4 de Novembro de 2020. Deus com certeza tem agora a nossa querida D. Lilia em um bom lugar. Saudades, de Andre Caixeta, Marcos Britto e Robson Giro (Codlux® - Luz em Led).


"UMA LUMINÁRIA ME DEU A PISTA PARA UMA VIDA QUE EU NÃO SABIA QUE MINHA MÃE TINHA" 
Por William Lamb
Publicado originalmente em 15 de Setembro de 2020 para o The New York Times 


Minha mãe juntou uma quantidade imensa de coisas. Isso é um fardo: o que fazer com tudo isso? Mas também, é um presente. Porque ela morreu de câncer em 1992 aos 53 anos, quando eu tinha 15. E ainda assim ela encontra 'meios' de falar comigo, através destas coisas que deixou para trás. Uma delas foi um pendente que descobri recentemente. Ele ofereceu-me uma pista para a vida que eu não sabia que ela tinha tido. 

Ouvi falar sobre isso há alguns anos, quando me deparei com um envelope amarelado com uma etiqueta com o logotipo estilizado em espiral da Wheel-Garon Inc., extinta empresa de iluminação arquitetônica de Nova York. Perguntei a meu pai sobre isso e ele me contou a história. 

Minha mãe Helen Lamb, foi trabalhar na Wheel-Garon no início de 1961, depois de responder a um anúncio no jornal. Recém-casada, ela havia deixado a casa dos pais no Alabama alguns meses antes, menos de um ano depois de se formar na Universidade da Geórgia. Ela tinha então 22 anos. A empresa, que era nova, a contratou como desenhista, contadora e datilógrafa com base em seu bacharelado em design de interiores e nos cinco meses que passou como designer de tecidos e colorista após sua chegada a Nova York. Em pouco tempo ela trihou o seu caminho para um papel de sucesso como designer de iluminação.

O grande cliente de Wheel-Garon era o Hilton Hotels. Em algum momento de 1962, os diretores da empresa confiaram a minha mãe um desafio importante: projetar um conjunto de lâmpadas pendentes para iluminar acima das mesas de blackjack e dados no cassino do hotel Caribe Hilton em San Juan. Seria  possível então que uma dessas luminárias tivesse sobrevivido e estivesse no sótão da casa de minha infância, em Arlington, Virgínia.

Minha primeira tentativa em encontrar o pendente não teve sucesso. Em vez disso, encontrei caixas com outras coisas que minha mãe guardou: meus boletins da escola primária; todas as minhas cartas ao Papai Noel; e um bilhete que ela me escreveu no meu aniversário de 10 anos, que me levou às lágrimas. Mas também me deparei com outra coisa: uma pasta de arquivo transbordando de coisas efêmeras dos 'dias Wheel-Garon' de minha mãe, incluindo cartões de visita e uma série de fotos em preto e branco tiradas nos escritórios da empresa, com ela usando um belo penteado.


Sra. Lamb nos escritórios da Wheel-Garon Inc., uma empresa de iluminação arquitetônica de Nova York, por volta de 1.963 

E encontrei vários desenhos técnicos bem dobrados de luminárias, um deles rotulado como San Juan!  Isso levou a uma conversa mais longa com meu pai, Denis Lamb. Fiquei curioso para saber como minha mãe, uma jovem inexperiente que trabalhava em uma área dominada por homens, conseguiu encontrar um certo sucesso tão rapidamente. Muito disso segundo ele, tinha a ver com Lesley Wheel.
De acordo com um perfil de 2001 na revista Architectural Lighting , ela foi a primeira - e, durante anos, a única - mulher a se dedicar em tempo integral ao designer de iluminação arquitetônica. A Sra. Wheel morreu em 2004 e, meu pai a lembrava como “uma pessoa forte e dinâmica”, que colocou minha mãe sob sua proteção. O Sr. Garon também, até certo ponto. Mas Lesley , devido ao fato de ser uma mulher, era mais mentora de minha mãe do que o Sr. Garon

Outro fato foi algo que minha mãe descobriu em si mesma: "adquirir uma enorme confiança”, lembrou meu pai: “Aquilo acabou se tornando o seu mundo, o mundo do design de iluminação, e ela estava funcionando nele e estava muito confiante.” 

Em 1963, a Wheel-Garon mudou-se para escritórios maiores na Fifth Avenue e 53rd Street, e o Hilton embarcou em uma ampla reforma de seu hotel Caribe Hilton em San Juan. Foi um dos cerca de 20 projetos do Hilton para os quais a Wheel-Garon cuidou do design de iluminação durante o tempo em que minha mãe estava na empresa. 

“Sua mãe estava trabalhando à margem de vários desses projetos - não em campo, não captando clientes, apenas desenhando e talvez, em algumas contribuições criativas, muito em segundo plano... E então de alguma forma, não me lembro exatamente como, ela conseguiu esse projeto específico para os acessórios do cassino do Caribe", disse meu pai. Eu perguntei se ele se lembrava dela estar exultante. 

"Sim", disse ele. “Mas também foi um projeto com muitos problemas. Estresse. Prazos. Foi um desafio de design, mas também um desafio de negócios. Ela tinha que terminar o projeto. Essas coisas tinham que ser fabricadas. ” 

Ela viajou para San Juan duas vezes, a segunda vez para supervisionar a instalação. Entre as descobertas do sótão estava um cartão-postal do Caribe Hilton, que ela enviou aos sogros em Cleveland em janeiro de 1963: 

“Aqui a negócios - trabalhando como uma louca, mas curtindo o clima quente”, escreveu ela, assinando como Lonesome Helen


Helen Lamb e seu marido Denis, em seu apartamento em Paris (1966), com o pendente que ela projetou para o cassino do hotel Caribe Hilton em San Juan  

O projeto do cassino foi um triunfo, mas houve contratempos. Enquanto ela estava trabalhando nisso, ou pouco depois, meu pai perdeu o emprego como editor de um guia de mídia de publicidade quando a editora fechou. Com o incentivo dela, ele se matriculou em tempo integral na Columbia University para terminar o bacharelado enquanto ela os mantinha. Minha mãe também foi - sem surpresa, para uma jovem trabalhadora no início dos anos 1960 - vítima de assédio sexual no local de trabalho. Um dos seus colegas engenheiros tinha o hábito de invadir o seu espaço pessoal e lhe dizer coisas inadequadas, conforme contou meu pai. Não havia departamento de recursos humanos para lidar com essas questões, que eram mais ou menos aceitas na época.

Em 1965, meu pai enfim se formou e foi aceito no Serviço de Relações Exteriores. E assim, a carreira da minha mãe no design de iluminação acabou. Eles mudaram-se para a Martinica e depois para Paris, onde penduraram a luminária pendente Caribe Hilton na sala de jantar do apartamento com vista para o Sena. Ela foi depois embalada e guardada antes de eu nascer, sendo colocada e retirada dos depósitos conforme mudávamos da Virgínia para Bruxelas e de lá, novamente para Paris, antes de mudarmos definitivamente para a última casa. Minha mãe voltou a trabalhar por alguns anos na década de 1970, conseguindo um emprego em uma empresa que planejava escritórios. E ela encontrou vários dons criativos, aprendendo serigrafia como parte de uma colaboração de artistas em Marblehead, Massachusetts, entre 1969 e 1970. Porém, ela se entregou em definitivo ao papel de mãe e, mais tarde, esposa de um embaixador dos Estados Unidos. 

No outono passado com a mudança rápida de meu pai e minha madrasta, minha esposa e eu voltamos para visitá-los e nisso, subi ao sótão para procurar o pendente pela última vez.

Eu vasculhei por um bom tempo e estava prestes a desistir, quando avistei um pacote rosa em um canto escuro. Retirei a embalagem e lá estava: um pendente tipo 'tigela' na cor verde, com um difusor de plástico e uma placa de latão decorativa. A luminária estava empoeirada e um pouco suja, mas fora isso intacta! Para mim, ela parecia uma peça contemporânea e perfeitamente adequada a ambientes dos anos 1960, pronta para 'absorver fumaças de cigarros e conversas fiadas flutuantes sobre uma mesa de roleta, a uma passo de distância do Oceano Atlântico. Levamos de volta conosco, junto com minha coleção de cartões de beisebol, alguns livros, brinquedos e outras coisas que eu não via há décadas - mas não suportava doar ou jogar fora. Mandei religar o pendente, agora com uma nova haste acoplada e, nosso instalador o colocou em nossa sala de estar em Jersey City, onde ele lança um brilho esmeralda quente no teto. 


A luminária pendente 'Caribe Hilton' no apartamento do escritor William Lamb em Jersey City.  

Hoje, após meio século guardada, a luminária pendente do Caribe Hilton Hotel me oferece um lembrete diário da jovem talentosa que o criou: minha saudosa mãe .





Agradecemos o seu tempo e disposição em ler esta publicação. Acreditamos fielmente que, ela também será de extrema utilidade para todas as outras mulheres que queiram aventurar-se no mundo do Lighting Design para assim, tornar a nossa profissão muito mais plural e igualitária.

"Mulheres fortes sempre iluminarão o mundo!" 



Robson Giro, especial para a Codlux® - Luz em Led 

Fontes: Lightfair Blog, IALD, Luxemozione, ArchDaily, Financial Post, Furniture Lighting & Decor, The New York Times, Edison Report 

Codlux® - Luz em LED 

Luz é Função. Estamos empenhados nisso.  

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